Morre o Arquiteto Oscar Niemeyer aos 104 Anos



Publicou o jornal Zero Hora que o ca­rio­ca Os­car Nie­me­yer, o gran­de no­me bra­si­lei­ro da ar­qui­te­tu­ra, mor­reu na noite desta quarta-feira. Ele ti­nha 104 anos e estava internado desde 2 de novembro no Hospital Samaritano, na zona sul do Rio de Janeiro.

Segundo Fernando Gjroup, médico do hospital, o arquiteto sofreu complicações na manhã desta quarta-feira, com insuficiência respiratória. Em coletiva, Gjroup afirmou que Niemeyer faleceu às 21h55min, de infecção respiratória, acompanhado da família.

Nie­me­yer era ca­sa­do des­de 1928 com An­ni­ta Bal­do, des­cen­den­te de ita­lia­nos de Pá­dua. Ambos ti­nham uma fi­lha, An­na Maria, qua­tro ne­tos, 11 bis­ne­tos e três tri­ne­tos.

Em 2012, o Sambódromo do Rio finalmente passou a ter o traçado original desenhado por Niemeyer há mais de 30 anos. O arquiteto visitou as obras antes do carnaval, em uma de suas últimas aparições públicas. Em Manaus, o Memorial Encontro das Águas, projetado em 2006, deve finalmente começar a ser construído para ser um ponto de encontro na cidade durante a Copa de 2014.

Nie­me­yer foi um dos ar­qui­te­tos que mais tem­po de ati­vi­da­de de­di­ca­ram ao con­cre­to. Su­bor­di­na­do a sua ima­gi­na­ção, o ma­te­rial es­té­ril e cin­zen­to bai­la­va em cur­vas e elip­ses que se tor­na­ram sua mar­ca re­gis­tra­da, no Bra­sil ou no res­to do mun­do — seus pro­je­tos es­tão es­pa­lha­dos por Fran­ça, Itá­lia e Ar­gé­lia, en­tre ou­tros paí­ses ao re­dor do glo­bo.

Ca­rio­ca do bair­ro das La­ran­jei­ras, Os­car Ri­bei­ro de Al­mei­da Nie­me­yer nas­ceu em dezem­bro de 1907, sim­bo­li­ca­men­te pou­co tem­po de­pois da exe­cu­ção dos pla­nos de urba­ni­za­ção do Rio pro­mo­vi­dos pe­lo pre­fei­to Pe­rei­ra Pas­sos. Fi­lho de fa­mí­lia tra­di­cio­nal — seu avô foi mi­nis­tro do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral e ho­je é no­me de rua no Rio — Nieme­yer pri­mei­ro co­me­çou a tra­ba­lhar co­mo ti­pó­gra­fo, au­xi­lian­do o pai. Em 1929, entrou pa­ra a Es­co­la Na­cio­nal de Be­las Ar­tes, on­de re­ce­beu o di­plo­ma de en­ge­nhei­ro ar­qui­te­to em 1934.

A par­tir daí, a tra­je­tó­ria pro­fis­sio­nal de Nie­me­yer se cru­za de ma­nei­ra fun­da­men­tal com a do tam­bém ar­qui­te­to Lú­cio Cos­ta. Foi no es­cri­tó­rio que Cos­ta di­vi­dia com Car­los Leão que Nie­me­yer co­me­çou sua car­rei­ra, em 1935. Mes­mo pre­ci­san­do de di­nhei­ro pa­ra susten­tar uma fa­mí­lia em for­ma­ção, Nie­me­yer co­me­çou tra­ba­lhan­do de gra­ça, com o ob­je­ti­vo de se aper­fei­çoar.

Se­ria ali que, no ano se­guin­te, na equi­pe que par­ti­ci­pou do pro­je­to da se­de do Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção e Saú­de, co­nhe­ce­ria ou­tros dois no­mes im­por­tan­tes pa­ra sua for­ma­ção: o mi­nis­tro Gus­ta­vo Ca­pa­ne­ma e o ar­qui­te­to suí­ço Le Cor­bu­sier, o pa­pa do mo­der­nis­mo arqui­te­tô­ni­co.

Le Cor­bu­sier foi uma das pou­cas in­fluên­cias de­cla­ra­das de Nie­me­yer, mas com o tempo o bra­si­lei­ro foi de­sen­vol­ven­do seu pró­prio es­ti­lo e dis­tan­cian­do-se dos câ­no­nes es­ta­be­le­ci­dos pe­lo suí­ço. Foi Cor­bu­sier quem pri­mei­ro diag­nos­ti­cou a ob­ses­são de Nieme­yer por cur­vas com uma ob­ser­va­ção me­ta­fó­ri­ca.

— Vo­cê tem as cur­vas dos mor­ros do Rio na re­ti­na.

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